Senioridade no Revenue Management: Por que a vivência operacional vale mais do que cargo

Executiva em escritório corporativo com raízes de árvore douradas rompendo o chão de concreto, simbolizando a força da senioridade e vivência operacional no Revenue Management hoteleiro.

Quantas vezes o mercado hoteleiro, em sua pressa habitual, confunde o tamanho do vaso com a força da semente? Olhamos para o título impresso no cartão de visitas e acreditamos que ali reside o resumo fiel de quem o carrega. Esse julgamento superficial é, muitas vezes, o maior inimigo da verdadeira senioridade no Revenue Management.

Contudo, a competência verdadeira, aquela forjada em trinta anos de balcão, aberturas de hotéis e crises superadas, não cabe em etiquetas. Muito menos num simples cartão de visita, precisamos nos aprofundar.

Recentemente, conduzi processo de seleção estratégico para a posição de Assistente de Revenue Management em um hotel de alto padrão. A vaga, destinada a atender uma equipe sediada no “asfalto corporativo” de São Paulo, buscava alguém para cuidar das entranhas financeiras de um ícone da hotelaria em Salvador.

Encontramos um perfil que chamo de “Árvore de Raiz Profunda”.

A profissional selecionada possui uma trajetória que faria muitos diretores recuarem por puro receio de comparação. Afinal, ela já implantou a cultura de Revenue Management (RM) em diversos empreendimentos e participou da abertura de hotéis em várias regiões do Brasil.

Ao aceitar ocupar a cadeira de assistente, ela nos prova que o brilho do ouro não se altera pela cor da caixa que o protege.

Infelizmente, muitos profissionais insistem em calçar os “sapatos de chumbo” do prestígio, preferindo a imobilidade ao passo leve de quem sabe que a maestria não precisa de pedigree. Ela fez o caminho inverso. Entende que o conhecimento técnico sobre Excel ou sistemas de RM é apenas o tronco visível.

Sua raiz, aquela que realmente sustenta o resultado, está na sensibilidade de quem conhece o chão da Bahia como poucos.

Enquanto a estrutura corporativa em São Paulo foca nos relatórios técnicos e estudos complexos — fundamentais para a tomada de decisão —, essa profissional traz o oxigênio necessário para a estratégia.

Ela não apenas olha para a tela; ela entende o que acontece no Pelourinho. Ela sabe que a “hospitalidade memorável” da equipe de Salvador é o que sustenta tarifas de luxo, mesmo quando o hardware físico do hotel apresenta rachaduras.

Assim, essa árvore de raiz profunda no asfalto paulistano cumpre uma função vital que um profissional júnior dificilmente alcançaria:

  • Traduz dados em ação: Treina o Front Office para explicar a dinâmica tarifária ao cliente e antecipar necessidades reais.
  • Garante resiliência: Lida com a pressão e as mudanças de mercado sem perder o prumo, fruto de sua vivência operacional.
  • Poda o desperdício: Identifica onde o inventário está sendo mal gerido, blindando a receita com a sensibilidade de um ourives que não desperdiça um grama sequer do metal precioso.

Concluímos que contratar senioridade para cargos de suporte não é retrocesso, e sim investimento em fundação sólida. É ter a segurança de que, se o sinal do GPS digital falhar, a bússola humana sabe exatamente para onde apontar.

Então, não tenha medo da sua essência nem se prenda a títulos. Às vezes, para alcançar voos mais altos ou saborear novos talentos, precisamos apenas de solo fértil — não importa se ele parece menor do que o jardim que já cultivamos.

O mercado hoteleiro agradece quando escolhemos uma árvore que não balança com qualquer vento. O brilho das folhas novas pode até atrair o olhar, mas é a raiz profunda que garante a sobrevivência na seca.

E você, tem olhado para o título ou para a raiz nas suas contratações de Revenue Management?

Márcio Moraes, Diretor da QI Profissional e Headhunter especialista em Hospitalidade e Gastronomia.

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