19. julho 2013 · Comentários desativados em O banheiro também faz parte do restaurante · Categories: Hotelaria de Fato · Tags: ,
Banheiro do restaurante Schneider, em São Leopoldo (RS)(Foto: Attílio Leone/Divulgação)

Banheiro do restaurante Schneider, em São Leopoldo, RS (Foto: Attílio Leone/Divulgação)

Há muitos anos atrás, quando saíamos para comer fora, meu pai tinha sempre uma primeira preocupação: assim que entrávamos, ele ia ao banheiro e verificava a higiene do local. E não tinha desculpa: banheiro sujo, íamos embora.

Fui criado assim e, tenho certeza, essa é a maneira mais objetiva de conhecer a maneira como os alimentos são tratados no local. Banheiro sujo = cozinha suja. E, este não é o lugar onde vou comer.

Para ficarmos no mais básico: bacias higiênicas com assentos e tampas limpas e em ambientes corretos (digo, cubículos fechados), pias limpas, saboneteira líquida, toalhas de papel descartável. E, no banheiro dos homens, locais adequados para as necessidades do sexo masculino.

Indicamos o blog do Banas para mais dicas.

16. setembro 2012 · Comentários desativados em A Arte de Servir: Segredos de duas gerações de garçons bem-sucedidos · Categories: Trabalho em Crônicas · Tags: , , , , ,

Antônio, ou Tony, como gostava de ser chamado, corria atrás de seu sonho. Queria vencer na vida, triunfar na cidade grande, gravar seu nome entre os melhores profissionais da área em que escolhera trabalhar. Carregava consigo esta meta e a profissão por ele definida como uma das melhores do mundo desde garoto, quando acompanhava seu pai Francisco, o velho Chico, ao trabalho.

Aprendera com o pai os segredos da profissão. Chico chegara ao Rio de Janeiro vindo do interior da Bahia. Sem muita instrução, completara apenas o primário, naquela virada dos anos 1950 para os 1960, com Brasília em construção, Juscelino assumindo o país, os 50 anos em 5 e a Bossa Nova a embalar os brasileiros, ele aportara na cidade maravilhosa.

No início, não sabia ao certo o que fazer. Como todo migrante, a construção civil parecia um caminho natural. Chico, no entanto, queria percorrer outras trilhas. E no centro da cidade viu uma placa oferecendo vaga de garçom, em restaurante popular concorrido. Topou a parada. Pegou o anúncio na porta, entrou e se dispôs a encarar o desafio. Nunca fora garçom antes, mas tinha muita disposição e podia aprender.

Passados alguns meses, percebeu que fizera a escolha correta. Destacava-se pelo porte, elegância, boa aparência e pelo modo simpático e singelo com que tratava os clientes. Ouvia a todos, dispunha-se a atendê-los com prestatividade e cortesia, acompanhava o andamento da cozinha para entregar os pratos prontos com agilidade. Passou a conhecer os fregueses habituais pelo nome e ganhava gorjetas de todos, dos mais simples aos abastados que por ali passavam.

Depois de aproximadamente dois anos um cliente o abordou com uma proposta de trabalho, percebera as qualidades de Chico e queria levá-lo para atender no restaurante de seu hotel, localizado em Copacabana, área nobre frequentada por pessoas da alta sociedade, artistas e turistas estrangeiros. Ofereceu-lhe um salário melhor e a possibilidade de crescer na profissão, migrando para esta região mais rica.

Chico fez as malas e mudou de endereço profissional. Continuou a se destacar. Era comunicativo com os clientes, mas jamais era invasivo nas conversas, preservando o direito dos fregueses a sua privacidade e pares. Homem honesto, íntegro, apesar das origens humildes, tratava com grande responsabilidade o dinheiro. Nunca embolsava o que era do patrão, como alguns colegas faziam e que em pouco tempo os levava ao desemprego. Quando recebia gorjetas pelo serviço coletivo prestado a alguém se punha a dividir em partes iguais para que ninguém fosse lesado.

Neste meio tempo, conheceu Angélica, logo que ela entrou para ser recepcionista no hotel. Se engraçou com a moça sem assim fazê-lo no local de trabalho, em respeito a seu Ananias, o patrão que nele depositara confiança. Não demorou muito e resolveram se casar. Angélica tinha chegado de Minas, onde vivia na roça, com uma família bastante simples e não conhecia ninguém no Rio de Janeiro, assim como Chico. Já estávamos vivendo o final dos anos 1960 quando nasceu Antônio.

E foi nesse ambiente, de hotéis e restaurantes, que Tony cresceu. Viu seu pai ser promovido a chefe dos garçons, depois conciérge e, mais para frente gerente do estabelecimento. A ampliação da rede levou Chico a monitorar outro restaurante de seu Ananias, localizado em Búzios, onde fazia a contratação e treinamento dos novos garçons. Sempre que podia, Tony acompanhava tudo de perto. O pai era rígido com ele, mas muito correto e sempre que podia lhe devotava atenção e tempo. Tony observou como os clientes o respeitavam, assim como os fornecedores, os colegas de trabalho e principalmente o proprietário destes hotéis e restaurantes.

Chico foi sondado para sair dos hotéis de Ananias, mas preferiu ficar. Deu oportunidade para Tony começar a trabalhar. No meio dos anos 1980, ele virou garçom no restaurante localizado em Copacabana. Gostou do trabalho, mas queria voar e, por isso, depois de alguns meses de experiência, resolveu tentar a sorte em São Paulo.

Com carta de recomendação, algum tempo de trabalho na área e contando com as lições da escola da vida, principalmente de seu pai, bateu de porta em porta até que conseguiu uma colocação. Era uma cantina nova, cujos proprietários, de origem italiana, comandavam nos moldes de empresa familiar e ele foi recebido como parte desta “famiglia” que se formava.

Queria crescer a achava que como o pai, tudo ocorreria naturalmente, mas percebeu que os tempos eram outros, a clientela havia mudado, a concorrência era grande e que para progredir, teria que acrescentar algo mais a si mesmo.

Precisava se aperfeiçoar e, por isso, foi estudar. Entrou para uma escola de garçons…

E hoje, como está Tony? Tornou-se um dos melhores garçons de São Paulo. Fez muitos cursos, ajudou a família do seu Ettore a abrir novas cantinas e é o gerente de uma delas, na Vila Madalena. Casou-se com Marília e tem dois filhos, ajudado pelas lições do pai e tendo desde cedo paixão pela profissão, enveredou pelos negócios do setor e frequenta feiras, vai a congressos sobre o assunto e está fazendo até mesmo um curso universitário no segmento de hotelaria.

Pergunte ao seu Chico o que acha de tudo isso e verá o orgulho do pai do Tony, do alto de seus 75 anos, já aposentado. Dona Angélica então, agradece a Deus todos os dias as graças conseguidas pela família, devota como é, reza e pede proteção a todos. Pergunte também aos meninos Thiago e Lucas o que pretendem fazer da vida e verá neles o quanto o amor pela profissão de garçom, conciérge ou maitre está no sangue…

Por João Luís de Almeida Machado