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 Artigo publicado quinta-feira, 16 de março de 2010 no Hôtelier News

          Por Márcio Moraes

 

Novamente a bandeira do mercado hoteleiro como grande oportunidade de emprego surge com advento da Copa do Mundo. As recentes notícias dão conta de 266 novos projetos nas cidades sedes da Copa. Contudo, os hotéis, que primam pela qualidade, reconhecem que o mercado ainda não está preparado para atender a uma demanda internacional e, por isso, começaram a investir na qualificação da mão-de-obra.

Há uma escassez de profissionais qualificados e há pouco tempo para alcançar o nível de qualidade que o evento exige. Entre as soluções para suprir a escassez de profissionais estão: a qualificação via ensino superior e técnico e o aumento de cursos de capacitação para os trabalhadores da área. Dois pontos aparentemente simples, mas de uma complexidade tamanha.

Nos últimos anos há uma diminuição da demanda de alunos dos cursos superiores e técnicos. Profissionais relatam que poucos alunos seguiram a carreira em Hotelaria, principalmente entre os graduados em curso superior. Muitos não compreenderam, porque depois de formados não gerenciaram um hotel e perceberam que a porta de entrada é a mesma para os práticos, técnicos, tecnólogos e bacharéis. A realidade mostrou, como acontece com as demais carreiras, o conhecimento acadêmico é uma etapa e não o final do processo. A união entre teoria e prática é mais que necessária.

Doutora Marilia Gomes dos Reis Ansarah, professora e coordenadora de ensino superior e autora do livro Formação e Capacitação do Profissional em Turismo e Hotelaria, defende a qualidade no ensino superior em turismo e entende que o sucesso do mercado dependerá:
– Da capacidade criativa dos profissionais;
– Da habilidade na introdução de novas tecnologias;
– Do uso de novos processos e formas de organização;
– Da capacidade de adaptação do profissional: fator-chave do êxito para as empresas;
– Da busca constante de produtividade: o principal objetivo e a única possibilidade de sobrevivência dos profissionais.

Uma instituição de ensino deve ser muito mais que uma preparação para o mercado, ela deve despertar no aluno a importância da pesquisa e investigação, além de estar em sintonia com o futuro. A maior parte dos profissionais formados em cursos superiores preenche as vagas das redes hoteleiras e de empreendimentos de categoria superior, exigentes quanto ao profissionalismo. Contudo, mais de 80% dos empreendimentos hoteleiros são de hotéis independentes e eles também necessitam de qualificação.

A maioria dos pequenos empreendimentos aprendeu a qualificar seus profissionais na prática. Quem nunca ouviu aquela frase: “Aqui se aprende no dia a dia, atrás de um balcão de recepção”. Essa mesma cultura com uma dose de planejamento e acompanhamento de um profissional especializado em Treinamento e Desenvolvimento poderá desenvolver educadores internos, comumente chamados de agente multiplicadores. Como exemplo, a iniciativa do Sindicato patronal de Aparecida e Vale Histórico, no interior de São Paulo. Com apoio de uma ONG e do Ministério do Turismo, realizaram cursos para 900 pessoas, entre recepcionistas, garçons, cozinheiros e camareiras. A mobilização uniu consultores, coordenadores de cursos, secretários de Turismo, professores, vereadores e presidentes de associações em prol da prioridade maior: a qualificação profissional.

Não importa se o empreendimento é grande ou pequeno, há uma necessidade básica: qualificar profissionais e empresários. A proposta por uma qualificação que atinja os diversos universos passa pela compreensão da realidade de cada região, em cada empreendimento. O exemplo de Aparecida é muito pertinente nesse sentido.

Para o profissional fica o grande desafio de torna-se independente, conduzir sua carreira de forma autônoma. O sucesso de uma carreira no mercado hoteleiro necessita de muito esforço e planejamento. O mercado carece de profissionais com habilidades múltiplas – o que vai além de saber fazer diversas atividades. O profissional tem que ser facilitador e ter a competência de avaliar e solucionar problemas, de julgar e agir, aprender e transferir aprendizagem. O desenvolvimento de profissionais polivalentes exige empresas e líderes polivalentes.

Márcio Moraes é especialista em planejamento de carreira no mercado de hospitalidade,  está na hotelaria há mais de 20 anos. Sócio-fundador da QI.

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